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Google, Facebook, Amazon e Apple e a audiência sobre seu domínio do mercado

Os CEOs das maiores empresas de tecnologia dos EUA – Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Facebook), Jeff Bezos (Amazon) e Tim Cook (Apple) – estiveram ontem, 29.jul, por videoconferência, numa audiência de 5 horas testemunhando perante um Comitê Judiciário da Câmara sobre se seu domínio do mercado viola leis antitruste. O Comitê pretendia estabelecer se os gigantes da tecnologia estavam operando de maneira anticompetitiva.

A indústria de tecnologia emprega milhões de norte-americanos e gera trilhões de dólares – e cada vez mais, apenas poucas empresas são responsáveis por todo esse sucesso. A Amazon, por exemplo, controla apenas 5,5% de todas as vendas no varejo, mas capturará 38% das vendas de comércio eletrônico nos EUA em 2020 (de acordo com o rastreador eMarketer). Facebook e o Google dominam o setor de publicidade online, com alguns relatórios afirmando que as duas juntas controlam 80% do mercado.

É por conta de dados como esses, que existe uma preocupação sobre o monopólio dessas gigantes. Alguns pedem o fim das grandes empresas, sugerindo que algumas delas devem ser divididas, mas que todas devem ser melhor regulamentadas, pois o controle de mercado que elas exercem tem poder de “esmagar negócios independentes e expandir seu próprio poder”.

As decisões subsequentes, baseadas nas audiências, poderão, eventualmente, resultar em novos regulamentos que restringem, ou mesmo reduzem, o domínio de mercado de cada um.

O Social Media Today trouxe algumas das perguntas mais difíceis feitas durante a audiência:

  • Sundar Pichai, do Google, foi questionado sobre as práticas do Google em relação não mostrar críticas de outras plataformas, que reduziram o tráfego para plataformas como o Yelp;
  • O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi questionado sobre a aquisição do Instagram pelo Facebook, que, segundo os documentos, pretendia, pelo menos em parte, “neutralizar” um concorrente;
  • O CEO da Amazon, Jeff Bezos, foi convidado a explicar a subcotação dos preços dos concorrentes na empresa, usando o caso de diapers.com (a Amazon supostamente vendia fraldas com uma perda estimada em US$ 33milhões por mês, a fim de tirar o diapers.com do mercado);
  • Tim Cook, da Apple, foi questionado sobre as taxas de comissão da Apple e suas decisões de restringir aplicativos quando a Apple lançou ferramentas e recursos concorrentes.

Essas perguntas foram apoiadas em evidências bastante claras, e, somadas a tantas outras feitas ontem, apoiam a preocupação de que essas grandes empresas são capazes de reprimir a concorrência. Elas têm um alcance enorme e, como algumas delas criam produtos e controlam os mercados nos quais os produtos concorrentes são vendidos, elas têm o poder de ditar as regras do jogo.

Do ponte de vista comercial é possível entender porque as plataformas de tecnologia operaram dessa maneira, mas elas ainda parecem anticompetitivas. O presidente do subcomitê de Direito Comercial e Administrativo do Poder Judiciário da Câmara, David Cicilline, colocou em suas considerações finais: “Essa audiência me deixou um fato claro: essas empresas, como elas existem hoje, têm poder de monopólio. Algumas precisam ser desmembradas, todas precisam ser adequadamente regulamentadas e responsabilizadas. Precisamos garantir que as leis antitruste, escritas pela primeira vez há mais de um século, funcionem na era digital”.

E esse é basicamente o centro dessa investigação, se as leis existentes são aplicáveis na atual era digital, ​​quanto foram antes disso. Essa dúvida também se aplica a regulamentos de direitos autorais e disposições de propriedade de conteúdo. Muitas dessas leis foram escritas em um período de mídia física ou transmissão controlada pelo editor. A era digital mudou drasticamente esse cenário, que continua mudando diariamente.

A questão agora é, o que fazer a partir disso tudo? Aparentemente existem evidências suficientes para se aprofundar nas práticas da empresas, por exemplo, mas uma mudança nos regulamentos pode levar ainda um bom tempo. Ainda estamos nos estágios iniciais e não se sabe o que pode resultar da investigação.

Nesse artigo da Digital Trends você pode ler sobre os principais momentos da audiência, assim como nessa postagem do The Verge. Nesses sites também é possível assistir a audiência completa, caso você tenha interesse.

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